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Terapia Ocupacional

 

terapiaOcupacionalPoucas pessoas conhecem a Terapia Ocupacional e, principalmente, o que nós terapeutas ocupacionais fazemos. Dias atrás, olhando as frases pelas quais as pessoas encontram este blog, me dei conta que muita gente chega aqui tentando saber o que é essa profissão.

Entrevista concedida pela Mariana fulfaro à Katherine Kardos, aluna do Colégio Stockler, sobre a Terapia Ocupacional.

Terapia Ocupacional é uma carreira “moderna”, que poucos sabem realmente do que se trata. Você poderia nos dar exemplos de como é o trabalho de um terapeuta ocupacional?

No mundo, a Terapia Ocupacional nasceu na Primeira Guerra Mundial. No Brasil, o primeiro curso foi criado na Faculdade de Medicina da USP, há mais ou menos 50 anos.

Aprendi a dizer que o terapeuta ocupacional é o médico das atividades. Nós reabilitamos as pessoas para as atividades que elas deixaram de fazer devido a algum problema. Esse “problema” pode vir de diversos motivos, como físicos (derrame, amputação, tetraplegia), psiquiátricos (esquizofrenia, depressão), mentais (Síndrome de Down, autismo), geriátricos (Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson) e sociais (ex-presidiários, moradores de rua).

Nós avaliamos quais atividades do cotidiano a pessoa não está conseguindo fazer e o porquê disso. Depois a reabilitamos para essa atividade, para que ela possa voltar a fazê-la proporcionando assim melhor qualidade de vida a essa pessoa.

Um exemplo do trabalho do terapeuta ocupacional é com pessoas que sofreram um acidente e ficaram paraplégicas. Num caso desses é o terapeuta ocupacional quem prescreve e faz as adaptações da cadeira de rodas – toda cadeira de rodas tem medidas individuais, pois caso contrário pode machucar o corpo -, quem ensina a pessoa a usá-la e quem faz o fortalecimento dos braços.

Além disso, fazemos a organização e as adaptações do domicílio para facilitar o trânsito dessa pessoa, e as medidas preventivas para impedir o aparecimento de deformidades nos braços fazendo exercícios e confeccionando órteses (aparelhos confeccionados sob medida para posicionar partes do corpo).

Tudo isso é feito para que essa pessoa possa retomar suas atividades e voltar a viver em sociedade, indo à escola, trabalhando, namorando, fazendo compras e fazendo sua higiene sozinha.


O que a motivou a escolher essa profissão?

Sempre quis trabalhar na área da saúde, mas até descobrir a Terapia Ocupacional não sabia muito bem qual profissão escolher.

Após muitas dúvidas, resolvi fazer psicologia, mas eu ainda não estava satisfeita. Eu queria algo que, além de trabalhar com a subjetividade humana, também pudesse lidar com questões físicas, como quando alguém fica paraplégico, precisa usar muletas ou cadeira de rodas, tem tendinite ou sofre uma amputação.

Nas vésperas da inscrição para o vestibular, lendo o Guia do Estudante, descobri a Terapia Ocupacional. Foi amor à primeira vista.


Você já enfrentou algum desafio na sua vida profissional?

Sim. Para mim o dia-a-dia da profissão por si só já é um grande desafio. Todos os dias, enquanto estou atendendo, percebo que quando trabalhamos com saúde é preciso estudar sempre, pois estamos lidando com vidas. Se eu fizer algo errado posso atrasar todo o processo de reabilitação e com isso prejudicar a vida do meu paciente.


É comum as grandes universidades terem esse curso?


Sim. A maioria das faculdades que oferecem o curso de Terapia Ocupacional pertence a grandes universidades, como a USP, a UFSCar, a UNESP, a UNIFESP, a UEPA, a UFPE, a UFPR e a UFMG. As pequenas faculdades não possuem infra-estrutura para oferecer esse curso.


Algumas pessoas desacreditam em trabalho terapêuticos, principalmente em relação à análise. Já ocorreu de você sofrer algum tipo de preconceito com relação à isso? Digo, é comum escutar das pessoas que você não vai resolver nada?


Já sofri preconceito, sim. Muitas pessoas não sabem o que o terapeuta ocupacional faz, por isso não conhecem a importância do trabalho. É comum ouvirmos falar que o terapeuta ocupacional ocupa as pessoas e que dá jogos, crochê e outros trabalhos manuais para passar o tempo. O pior é quando associam a profissão àquela frase “mente vazia, oficina do diabo”.

Quando eu escuto isso não fico chateada, não. Apenas explico para a pessoa o que o terapeuta ocupacional faz, e pronto. Como o trabalho do terapeuta ocupacional é importante, uma hora ou outra as pessoas vão precisar dele, seja para elas mesmas ou para algum familiar.


Particularmente, logo que penso em Terapia Ocupacional penso em ocupação, tais coisas têm realmente a ver?

A maioria das pessoas associa minha profissão à ocupação, e tem um pouco a ver, sim. A Terapia Ocupacional sempre trabalha com atividades, somos profissionais especializados em analisá-las e indicá-las, por isso a associação. Porém, o nome da profissão é ingrato, passa a idéia de terapia por qualquer tipo de ocupação, exatamente o que a frase “mente vazia, oficina do diabo” tenta transmitir.

Quando indicamos uma atividade não queremos que a pessoa passe o tempo. Para isso, não é preciso ter ensino superior, fazer especializações e ter um Conselho Federal para regulamentar a profissão. O profissional que ajuda as pessoas a passar o tempo é o recreacionista.

O objetivo da atividade escolhida pelo terapeuta ocupacional serve para reabilitar. Sempre que escolhemos uma atividade levamos em conta várias características singulares do nosso paciente, como idade, preferências, experiências e profissão.

Na semana passada, joguei dominó com uma paciente. Se uma pessoa que não conhece a profissão vê essa cena, logo pensa que estou apenas brincando com ela, como qualquer outra pessoa faria.

Contudo, essa paciente tinha 96 anos, estava internada havia três semanas no hospital devido a uma infecção e tinha demência. Ao jogar com ela, meus objetivos eram estimulá-la cognitivamente – já que longos períodos de internação contribuem para o quadro de confusão mental no idoso – e tentar frear o progresso da demência. O dominó também ajudava a movimentar seus dedos, fortalecendo-os. Assim, quando voltasse para casa, sua mão estaria em perfeito funcionamento e ela poderia comer sozinha.

Com esse exemplo fica fácil entender como um atendimento de Terapia Ocupacional pode ser confundido com recreação.

 

Fonte: Portal Mariana Fulfaro

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